Tuesday, March 29, 2011
Saturday, March 5, 2011
Alejandra Pizarnik

Las palabras caen como el agua yo caigo. Dibujo
en mis ojos la forma de mis ojos, nado en mis
aguas, me digo mis silencios. Toda la noche
espero que mi lenguaje logre configurarme. Y
pienso en el viento que viene a mí, permanece
en mí. Toda la noche he caminado bajo la lluvia
desconocida. A mí me han dado un silencio
pleno de formas y visiones (dices). Y corres desolada
como el único pájaro en el viento."
Alejandra Pizarnik
Sobre a natureza do Real
ouvir a voz interna
Ouvir música é uma experiência activa. Os sons que percebemos são amplificados pela nossa resposta corporal e cerebral ao tentarmos imitá-los. Sentir que estamos também naquela música é a fonte primordial do prazer. Daí a música ser acima de tudo um fenómeno de grupo, de partilha.
Click to hear music file
Gravar-nos a acompanhar as músicas de que gostamos é um modo de apaziguamento. Uma ideia para alguém: registar-se a si próprio dentro da música e passar a ouvir assim todos os seus discos. Tornar física a sua voz interna, trabalhar para a fusão do pensamento e do som.
Click to hear music file
Tuesday, June 8, 2010
Gestão de custos
Wednesday, April 7, 2010
A natureza aérea - comentário a um filme

O recente filme Up in the air de Jason Reitman com protagonismo de George Clooney é um bom material para estudar a ideologia contemporânea.
A película trata de um homem - Ryan (Clooney) - que, a mando de uma grande empresa, tem de se deslocar constantemente a diversos pontos dos EUA com o fim específico de despedir trabalhadores de outras firmas assim estas requeiram os seus serviços. A grande quantidade de trabalho, devida aos frequentes despedimentos em massa, torna-o uma das pessoas do mundo com mais milhas aéreas percorridas, alguém cuja verdadeira casa se situa no ar e não em terra. Um dia, uma psicóloga recém-contratada para a empresa de Ryan decide implementar um sistema de despedimento à distância, por vídeo-conferência. Ryan manifesta-se contra este sistema por o achar desumano e ineficaz. Grande parte do filme desenrola-se enquanto viajam pelo país fora para pôr meio mundo no olho da rua, com o protagonista a tentar mostrar à jovem psicóloga a dura realidade do acto de despedimento. Simultaneamente, Ryan vive o drama do sedentarismo vs. nomadismo; criar família e raízes ou manter a louca vida de aeroportos e quartos de hotel. No fim, a jovem psicóloga sai da empresa por não aguentar a carga emocional, o que é positivamente valorizado por Ryan. Este, apesar de tudo, fica na empresa e opta por manter o seu estilo de vida.
Aqui temos um retrato actual do capitalismo. Face a uma grande crise, a adaptação do sistema leva à perda de milhões de postos de trabalho. Ryan é a corporização do mecanismo capitalista de acção. Despede friamente centenas de pessoas, mas, ambiguamente, ao longo do filme percebe-se a sua preocupação por manter esse acto humano e respeitoso. Tal é a cortesia actual do sistema político-económico: precipitar um rumo inexorável, mas comunicar que tudo irá correr pelo melhor, que o bem-estar de cada um é uma prioridade. Despedimento após despedimento, Ryan repete uma máxima a trabalhadores desesperados (algo mais ou menos assim): "Lembre-se que todos os que vieram a ter sucesso e a conquistar o mundo estiveram sentados no seu lugar". O despedimento é afinal algo bom, há sempre esperança de se vir a ter uma vida melhor.
Porém, para mim, o busílis do filme está precisamente no aspecto relacionado com o seu título, Up in the air. O título do filme é das frases que mais bem caracterizam o sistema capitalista. A sua natureza não pertence a nenhum lugar nem a nenhuma cultura, não tem raízes: é aérea, transversal. Por isso se tem adaptado tão bem a diversas realidades culturais, regimes democráticos ou não. Neste sentido, o filme é um objecto simbólico que representa a suprema liberdade do capitalismo como entidade própria: já nem os EUA o podem controlar, pois ele, para sua sobrevivência, coloca na precariedade o bom e velho cidadão trabalhador americano. Nada há a fazer. O filme explicita, portanto, o descolamento deste sistema económico do lugar onde mais floresceu em direcção a um espaço etéreo e apátrida. Ryan, o arcanjo capitalista, tem de seguir o seu destino nómada.
Sunday, March 28, 2010
"Qui est ici est d'ici"
Monday, February 15, 2010
escarafunchar nos depósitos de livros
Wednesday, January 27, 2010
Ídolos

Pintura: Armin Rohr
Crescemos e passamos a admirar gajos e gajas realmente interessantes. Ficamos fãs de gente bestial.
Mas nem no wallpaper do computador nos atrevemos a meter foto alguma destes ídolos.
Crescer é também evitar compromissos.
Monday, January 25, 2010
quem nos segue
Tuesday, January 19, 2010
Vampiros e marxismo

A identificação com os vampiros por parte de nós, cidadãos do mundo ocidental, pode ser algo subtil e profundo. Não seremos também seres com uma aparente normalidade e banalidade na vida que simultaneamente, por motivos que não conseguimos controlar, sugamos a vida de outros, mais distantes, que são pobres para que possamos ser ricos?
É a culpa que partilhamos com os vampiros que nos faz empatizar. Sabemos que também nós temos longos caninos afilados implorando por mais.
Friday, January 8, 2010
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